quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

O beijo e o tempo

Impossível descolar os olhos daquele sorriso largo, mas um pouco envergonhado. Ouvia cada palavra com atenção, em parte por querer (e muito) saber mais sobre ela, em parte por querer dizer algo engraçado, charmoso, inteligente e um pouco cafajeste/canastrão para fazê-la rir...

Num boteco qualquer na Rua Augusta, falávamos sobre a vida, que naquele momento, pelo menos para mim, estava começando a ficar muito melhor... Mudamos de bar, mudamos de cerveja, só não mudamos a rua e o rumo da conversa...

O adiantado da hora, que confirmou o fenômeno da noite de horas mais curtas registradas na história da humanidade, nos obrigou a partir, mas como não queria que a noite findasse, aceitei a carona...

Continuava com os olhos presos ao sorriso dela, mesmo que, naquele momento, só pudesse vê-lo assim... de lado...

Fomos até a estação metrô mais afastada, para que pudéssemos, com isso, prolongar aquele momento que, até hoje, não consigo descrever em palavras...

Ao estacionar o carro e desligar o motor, parece que ela, de certa forma, desligou também o mundo.
Subitamente os carros pararam de rodar e as pessoas simplesmente desapareceram. Não ventava e o único movimento que eu podia perceber era o do meu coração batendo através da camiseta...

Há quatro anos, nove meses e um dia, nos beijamos pela primeira vez e, a partir daquele momento, por mais que o tempo acertasse o compasso, os carros voltassem a se mover e as pessoas parecessem mais numerosas do que nunca, o mundo nunca mais foi o mesmo... Quer dizer... Pelo menos o meu mundo...

Sorte a minha.

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