Pode ser clichê... Quer dizer, não vou nem me dar ao trabalho
de circunstanciar o fato. Ficar bobo com o poder transformador da paternidade É
clichê e não vou tentar dizer qualquer coisa diferente.
Todos os alertas foram verdadeiros:
Sim. É algo que te deixa apaixonado de cara!
Sim. Dá medo!
Sim. Você começa a ver os pais (os seus e os demais) com
outras cores!
Sim. Tudo isso acontece ao mesmo tempo.
Não. Você não está suficientemente preparado para este
turbilhão, mas SIM, você vai adorar!
Hoje, pouco antes de sair para o trabalho, parei para olhar Vicente
bocejando longamente, movimentando mãos que ele ainda nem sabe pra que servem
(não tenho certeza nem se ele sabe que as tem), arqueando um pouco as costas e
esticando as pernas como quem já tem experiência na arte de espreguiçar... Era
como um ato meticulosamente ensaiado para encantar o pai-expectador...
Em 16 dias, Vicente já me mostrou muita coisa: agora sei que
o coração é feito de um material maleável (capaz de esticar um monte, só para
fazer caber mais amor); que a Camila é muito mais que o amor da minha vida e
que, definitivamente, a gente tem uma sorte danada de tê-la por perto; que um
abraço é fundamental (mesmo quando ainda não sabemos que se chama abraço); que
as lágrimas possuem um poder de comunicação quase tão universal quanto a
música; e que a felicidade pode ter muitos nomes, entre os quais, o dele.