É o papai de novo. Sabe aquele cara a quem você chutou hoje de manhã? Então…
Não sei se você também tem esta impressão, mas às vésperas da 40ª semana de gestação, o tempo tem passado de forma diferente…
Acordamos inúmeras vezes (mesmo que, na maioria das vezes, só a sua
mãe precise ir ao banheiro) e, ao longo do dia, ficamos atentos a
qualquer movimento que não pareça com os que vimos até agora…
Longe de mim dizer que a minha ansiedade é maior que a da sua mãe,
filho. Isso não só seria mentira, como também injusto…. Não sei se é
cedo para uma lição como essas, então vamos voltar a estes pontos quando
você estiver mais velho, ok?
O que eu queria que você soubesse é que, a cada manifestação
sonora/luminosa/vibratória do meu telefone, sinto como se o meu coração
urrasse/acendesse e tamborilasse mais forte do que o de costume.
Sei que está bem e confortável, mas saber que você pode vir a
qualquer momento só me faz querer estar a postos… só me faz querer estar
à disposição, sabe?
Não me entenda mal? Não quero que apresse absolutamente nada… Eu só
queria que soubesse que estamos prontos (para começar, pelo menos).
Nos vemos em breve, filho.
Com amor,
Papai.
Postado antes no Essa Moça Tá Diferente
segunda-feira, 25 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
Sobre o passado, o presente e o futuro* (uma carta para Vicente)
Oi,
filho.
Sei que
ainda não fomos formalmente apresentados…
Quer
dizer…
Você já
sabe bem o tom da minha voz, entende os beijos, risadas e esfregadas de mão
nessa barriga que você chama de casa temporária.
É claro
que, quando você puder ler e entender esta carta, você já vai ter uma boa ideia
de quem são os seus pais…
Então, vamos
fazer o seguinte: tente olhar para estas linhas como se elas fossem frestas em
uma janela do tempo.
Através
dela, você verá seu pai com quase 34 anos, contando as poucas semanas que
faltam para o seu nascimento, inseguro por não saber se está fazendo o
suficiente (por você e por sua mãe), mas extremamente feliz…
Combinado?
Sabe,
Vicente? Hoje em dia, sua mãe e eu passamos horas imaginando como podemos
prepará-lo para este mundão em que vivemos…
Na real,
o que queríamos mesmo é preparar o mundo para você…
Não. Não
estou falando em construir uma bolha e colar o seu nome nela. Acho que nossas
experiências (tanto as da sua mãe quanto as minhas) foram e continuarão sendo
valiosíssimas. Por isso, espero que você tenha coragem para viver as suas,
extraindo delas sempre o melhor.
Quando
falo em preparar o mundo, me refiro às coisas que eu realmente gostaria que
mudassem antes de você chegar…
Queria
que você pudesse viver em um lugar em que as pessoas se respeitassem mais e
cuidassem uns dos outros… Um mundo em que a bondade, gentileza, carinho e
sorrisos não fossem elogiáveis, mas sim corriqueiros…
Não sei
se isso será possível, mas posso torcer e fazer a minha parte, não é?
Foi por
isso que, conversando com sua mãe (que, btw, é a mulher mais extraordinária que
você poderia escolher para o papel), me comprometi a fazer o possível para lhe
ensinar a maior quantidade de coisas boas, que eu puder…
Talvez,
depois de ler essa carta, você possa responder a questão que irá me acompanhar
por anos…
Deu
certo?
Espero
que sim…
Sabe?
Agora, pensando em você já crescido, percebi que, a essa altura, você já deve
ter me ouvido dizer “eu te amo” algumas milhares de vezes…
No meu
tempo, mesmo enquanto a sua carinha ainda é um mistério pra gente, não me canso
de te falar sobre o meu amor por você…
É uma
ligação incrível… Uma conexão que o seu pai de 2015 ainda não sabe explicar…
Talvez o
do presente possa, afinal ele teve alguns anos a mais para entender como o
mundo funciona…
E mesmo
que não tenha entendido, de uma coisa eu tenho certeza: ele tem uma sorte
imensa de ter vivido com você até agora, contando histórias e piadas, e
entregando a você não apenas os beijos e abraços que eu venho guardando há 37
semanas, mas também aqueles que, sem saber, tenho esperado a vida inteira para
te entregar.
Te amo, Vicente.
*postado antes no Essa moça tá diferente
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