quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

… de manhã

Aperto os olhos, mesmo sem precisar…

Às 5h40, parece que nem o sol demonstrou disposição para dar as caras… O calor, no entanto, manteve-se ali, incansável…

O travesseiro molhado me obriga a levantar. Vicente, içado para a nossa cama no meio da noite, aparentemente padece do mesmo incomodo, mas resoluto — e cansado pelo esforço dedicado às muitas mamadas — não acorda, preferindo ocupar o espaço que acabo de deixar vago.

Caminho para a cozinha devagar, tomando o cuidado para não tropeçar em nenhum brinquedo ou esbarrar em alguma coisa…

Acordar Camila a esta hora, seria um erro castigado com rigor.

Meus instintos parecem estar no controle… Começo a fazer o café sem nem mesmo pensar em opções, ou considerar que uma bebida como essa não me ajudaria em nada com relação ao calor.

Ando até a sala sem erguer muito os pés e me jogo no sofá. Num bocejo mudo que enche a sala — enquanto esvazia meus pulmões –, me convenço de que realmente estou acordado, mesmo faltando horas para sair para o trabalho…

Decido que não vou fazer nenhum tipo de exercício, mesmo que eu tenha sido enfático ao dizer para Camila: “Claro que vou acordar cedo! Preciso fazer alguma coisa e amanhã me parece um bom dia para começar a pedalar…”

Formulo a teoria de que compromissos assim só deveriam ser assumidos pela manhã — quando você já está plenamente consciente sobre o seu humor e, na pior das hipóteses, pode jogar a culpa na preguiça…

Mais um bocejo, dessa vez acompanhado por uma senhora espreguiçada — daquelas que fazem jus ao nome que carregam.

Me arrasto até o banheiro, desviando de qualquer obstáculo e imaginando como consegui a proeza de não tropeçar em nada a caminho da cozinha.

Penso em um banho frio, mas me falta a coragem para me despedir do eu que ainda dormia (acho que uns 40%). Mesmo morna, a água é muito mais agradável que o calor modorrento da noite, o que me faz pensar pelo menos oito vezes antes de fechar o chuveiro.

Enrolado na toalha e com as mãos apoiadas na pia, bocejo mais uma vez e me dou conta de que nunca me deparei com uma quarta-feira com tanta vocação para segunda.

Olho pela janela e vejo que o danado do sol acordou bem disposto. Enquanto visto a bermuda (Sim. Pelo menos posso trabalhar de bermuda), imagino o tempo que ainda precisarei esperar até que alguém invente o teletransporte.

Como ocorre quase todos os dias, Camila se levanta para poder me dar um beijo de bom dia.

“- Tá tudo bem?” Pergunta ao me surpreender com olhar preso à caneca de café já vazia

- Sim… Só acordei de mau humor.

- Você deveria ter ido pedalar. Você sempre fica mais animado quando se exercita pela manhã.

- Quer saber? Acho que você tem razão… Será que você pode me lembrar disso amanhã de manhã bem cedinho?

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